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O luto coletivo de figuras públicas

O luto coletivo de figuras públicas

PROALU - Programa de Acolhimento ao Luto

Por Astrit Sánchez Díaz e Renata Barizon

O luto é um processo natural e esperado do ser humano, pois ele acontece comumente no nosso dia a dia. O luto pode ser tanto simbólico, que são as perdas que vamos tendo ao longo da nossa vida, como a perda de um emprego ou o término de um namoro, quanto real e concreto que se caracteriza pela morte de algum ser querido.

O luto é também um processo único, sendo vivenciado por cada pessoa de maneira diferente e heterogênea. Nesse sentido, existem inúmeros sentimentos e emoções que são despertados pela perda de algum ser querido, assim como há muitos tipos de luto. Entre esses tipos de luto que existem e são vistos na nossa sociedade se encontra o luto coletivo.

O luto coletivo é um fenômeno social, político e emocional já que é a vivência de uma perda por toda uma coletividade. Esse tipo de luto é diferente do luto individual de cada pessoa, pois traz consigo uma comoção geral de parte da população pelo acontecimento. Exemplos de lutos coletivos são os lutos que acontecem após um desastre de grande envergadura, lutos marcantes na comunidade, lutos dados por processos migratórios e pandemias, além da morte de figuras públicas, celebridades e líderes da comunidade e do país.

Quando se trata especificamente do luto coletivo por morte de alguma figura pública, celebridade ou líderes do país, os sentimentos estão intimamente associados com o vínculo que se tem com a pessoa que morreu, com o que ela representa e significa para o enlutado, e não com a proximidade física ou de laços sanguíneos. Assim, mesmo não havendo uma relação de amizade ou de parentesco, em geral, essas perdas nos deixam comovidos e nos fazem refletir sobre a nossa morte e nossa finitude.

Dessa maneira, pode-se dizer que o luto coletivo é uma oportunidade de vivenciar o luto pelo que ocorreu e, também, de viver lutos pessoais. Vivenciar um luto coletivo nos coloca diante de importantes reflexões sobre nossa própria vida. Isso pode trazer à tona uma reavaliação sobre a maneira de viver nossa vida, nossos planos futuros e sobre as coisas que fazem sentido para nós.

“(…) o momento de luto coletivo também nos permite uma profunda reflexão sobre nossas vidas. Segundo Jane Murray, ser tocado pela dor ao nosso redor em tal momento pode ajudar a nos preparamos para momentos em nossas próprias vidas que são inevitáveis, o de vivenciarmos a morte de alguém que amamos. Perdas de todos os tipos podem fornecer uma perspectiva diferente sobre a vida e nos levar a reavaliar o que realmente importa. Também nos permite avaliar nossa própria mortalidade. Por isso, aproveite este momento de recolhimento para promover uma profunda reflexão sobre a sua vida, e se o que nela contém faz sentido.”

Quando uma figura pública morre causa grande comoção e tristeza, não somente pelo fato de a pessoa ser famosa e de estar presente, por meio do seu trabalho, no dia a dia de muitas famílias, mas também pela maneira como ocorre a morte, pela família que deixa e pelo que essa pessoa simbolizava e despertava nos corações das pessoas. Esse tipo de morte nos faz refletir que podemos morrer a qualquer momento e deixar quem amamos para trás, nos faz refletir sobre nossa finitude e nossa fragilidade.

Inumeráveis são os exemplos de luto coletivo por morte de figuras públicas que marcaram gerações. Muitos ídolos da música, atores, atrizes, comediantes, influencers e políticos do país morreram e deixaram com saudades uma longa lista de seguidores e fãs. A partir do momento em que se é compartilhada a notícia da morte de uma figura pública, as homenagens, vídeos, textos são partilhadas incessantemente, e toda uma população parece estar vivenciando uma única dor.

É importante aclarar que o luto coletivo, como qualquer outro luto, precisa ser acolhido e validado. Quando um luto não é vivenciado, há mais chances de desenvolver um luto complicado que traz muito sofrimento para os enlutados. Da mesma forma como não é possível estimar a duração de um luto individual, também não se pode estabelecer o tempo de um luto coletivo. Isso porque todos os lutos são vivenciados de maneira única, podendo afetar as pessoas de formas diferentes. Nesse sentido, é relevante ressaltar a importância de buscar ajuda especializada no assunto caso a pessoa e/ou a família sintam essa necessidade.

 

BIBLIOGRAFIA:

https://www.vivamaisplan.com.br/luto-coletivo/

http://formacaoempsicologia.blogspot.com/p/0409-webinar-luto-coletivo-e-luto.html?m=1

https://www.portaldoenvelhecimento.com.br/luto-coletivo-a-perda-doi-em-mim-doi-em-voce-doi-em-todos-nos/

https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2020/06/12/comocao-ou-luto-coletivo-o-que-sentimos-com-noticias-de-mortes-por-covid.htm

https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/metro/e-como-se-fosse-uma-irma-o-que-explica-o-luto-coletivo-por-marilia-mendonca-1.3157392

https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/relembre-as-personalidades-que-morreram-em-2021/

BARBOSA, António. Fazer o luto. Lisboa: Núcleo Académico de Estudos e Intervenção Sobre Luto Centro de Bioética, 2016.

FRANCO, M. H. P. O luto no século 21: uma compreensão abrangente do fenômeno. 1ª edição. São Paulo: Summus Editorial, 2021.

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